O projecto intitula-se Implementação de Estratégias Adaptativas para a Conservação do Monte Chiperone e está inserido no âmbito do programa de financiamento do Fundo de Parcerias para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund). Está a ser desenvolvido na província da Zambézia, distrito de Milange numa zona muito rica na área faunística como florística, evidência que adida ao facto deste fazer parte de uma importante zona denominada Hotspot de Biodiversidade da Região Afro-montanhosa Oriental, onde desempenha um papel relevante na conectividade estrutural e funcional facto que faz dele um ecossistema único e meritório de atenção no contexto da conservação.

Este projecto surge como uma resposta de uma linha de base socio-ecológica feita pela Verde Azul Consult nas comunidades arredores do monte Chiperone que tinha como principal objectivo apoiar a comunidade local a envolver-se em actividades de conservação promovendo meios de subsistência sustentáveis. Com a implementação da linha de base socio-ecológica, identificou-se os recursos naturais presentes no monte que representam um capital natural importante para as comunidades, pois estes dependem fortemente desses recursos sendo a fonte para a obtenção da sua subsistência. Entretanto, identificou-se que as comunidades são estritamente dependentes dos recursos naturais, exercendo uma grande pressão sobre estes.

Em contraposição, também identificou-se que a falta de estratégias de conservação e uso sustentável dos recursos naturais está colocando a floresta e sua biodiversidade em risco. O principal vector para a degradação da floresta é a prática da agricultura e exploração dos recursos florestais madeireiros e não madeireiros que por sua vez é de onde se obtém a maior fonte de subsistência das comunidades. É praticada uma agricultura de subsistência cuja principal característica consiste no uso do fogo para a limpeza do terreno, factor que tem originado queimadas descontroladas eliminando extensas áreas degradando a biodiversidade no monte Chiperone.

No entanto, o projecto tem em vista elaborar estratégias de conservação dos recursos naturais lideradas pelas comunidades locais, centradas na participação activa e o empoderamento, promovendo deste modo a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento socioeconómico das comunidades locais. Para tal, estão a ser desenvolvidas duas estratégias, nomeadamente:

  • Introdução de técnicas de agricultura de conservação na planície, para fazer com que os agricultores que estabeleçam as suas machambas na montanha movendo-se para a planície, reduzindo a pressão sobre a biodiversidade do monte Chiperone;
  • Implementação de um sistema agro-florestal na montanha para adicionar a componente arbórea (que foi eliminada para a abertura de machambas) permitindo a interacção entre as componentes agrícola e perene, que ira contribuir para o aumento da conectividade ecológica, bem como para melhorar ou aumentar serviços ecológicos simultaneamente na mesma área.

Estas estratégias tem a mesma finalidade, que é permitir uma integração equilibrada tanto a nível da classe social como de género, redução da pobreza através da implementação de praticas que irão contribuir para a melhoria do bem-estar das comunidades, reduzir os impactos ambientais negativos reforçando a integridade ecológica do ecossistema a longo prazo.

Implementação das estratégias

Estratégia I

De acordo com a linha de base socio-ecológica, as comunidades abandonam as machambas na planície após a redução da produção associada as técnicas agrícolas rudimentares, supostamente para a sua recuperação (pousio), mas nunca retornam ao mesmo campo, factor que faz com que constantemente vão-se abrindo novos campos tanto em planície quanto na montanha.

No entanto, o projecto introduziu Moringa oleifera em alguns desses campos, que através de suas propriedades (fixadora de nitrogénio) melhoraram a fertilidade do solo e pelo seu rápido crescimento poderão ser usadas como cobertura do solo nas próximas épocas agrícolas.

As comunidades dependem da agricultura de sequeiro, no entanto a cobertura contribuirá para a melhoria da eficiência do uso da chuva, mantendo a humidade e melhorando os rendimentos das culturas. O projecto pretende a longo prazo motivar os agricultores a usar técnicas de conservação da agricultura cultivando nas terras planas e a utilizar os seus campos abandonados (terrenos em pousio).

A agricultura de conservação (CA) é um conjunto de práticas baseadas em perturbações mínimas do solo, manutenção de uma cobertura (material vegetal vivo ou morto) na superfície do solo e na rotação das culturas, especialmente com o objectivo de manter ou melhorar os rendimentos, estimular o funcionamento biológico do solo. Além disso, esta prática pode reduzir a mão-de-obra, assim como a movimentação do solo em cerca de 50%. Isso ajuda os agricultores a economizarem tempo para outras actividades.

O projecto não forneceu insumos agrícolas, pois nosso objectivo foi de introduzir técnicas e princípios sustentáveis ​​a curto e longo prazo, permitindo que a comunidade sustente as actividades após o término do projecto. Assim, produzimos com a comunidade um composto orgânico que pode ser usado como fertilizante. Os custos são insignificantes porque este é preparado de acordo com os recursos locais disponíveis, como estrume, solo de areia, plantas verdes, restos de comida e água.

Estratégia II

Para a recuperação das áreas degradadas identificadas durante a implementação da linha de base socio-ecológica estabelecemos um sistema agro-florestal que consiste no uso da terra onde as plantas perenes (árvores, arbustos, palmeiras, bambus, etc.) são usadas deliberadamente nas mesmas unidades de maneio de terras que culturas agrícolas, obedecendo um arranjo espacial ou sequencial.

No entanto, reflorestamos cerca de 10.000 m2 de áreas devastadas na montanha para práticas agrícolas. Com o objectivo de preservar a biodiversidade local, plantamos apenas espécies nativas com um crescimento relativamente rápido, permitindo uma melhor aceitação dos agricultores que irão usar as árvores plantadas como madeira, frutas e remédios. Estabelecemos um sistema misto com espécies lenhosas (que consertam nitrogénio no solo evitando a erosão), como Glicirida sepium, Sesbannia sesban, Acacia angustissima, Tephrosia vogelii e algumas espécies de frutas como Citrus sp., Strichnos spinosa e Vangueria infausta.

O espaçamento usado foi de 4x4m entre as árvores para que o efeito da mesma sombra não prejudique o desenvolvimento das culturas imediatamente. No entanto, a longo prazo, planeamos este efeito, que fará com que os agricultores abandonem essas áreas para realizar a agricultura apenas em seus campos da planície, e ao longo do tempo este sistema agro-florestal se tornará uma plantação florestal.

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